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20 de maio de 20262 min de leituracarreiranetworkingtecnologia

O belo também precisa aparecer

Uma nota pessoal sobre carreira, networking, visibilidade e a parte desconfortável de aprender a mostrar o próprio trabalho.

O belo também precisa aparecer
Neste post

Eu tentei fugir ao máximo dos meios tradicionais.

No começo da carreira, por causa do networking, eu acreditava que isso seria suficiente. Conhecer pessoas, entregar bons projetos, trabalhar direito e deixar que as oportunidades viessem naturalmente parecia um caminho honesto. E, por um tempo, foi.

Mas chega um ponto em que a sua rede começa a não ser suficiente.

Você pode ter bons projetos. Pode ter experiência. Pode saber resolver problemas difíceis. Pode olhar para o que construiu e sentir que aquilo tem valor. Ainda assim, se ninguém vê, se ninguém entende, se ninguém sabe que aquilo existe, o alcance simplesmente para.

Essa parte é meio cruel, porque tecnologia muitas vezes nos ensina a valorizar o fazer. Construir, corrigir, estudar, entregar. Só que ser bom em alguma coisa não basta. Você também precisa mostrar. Precisa provar. Precisa comunicar. Precisa, de algum jeito, aprender a se vender.

E eu sempre tive certa preguiça disso.

Não no sentido de achar que divulgação é inútil, mas no sentido de olhar para redes como o LinkedIn e pensar: "vou mesmo precisar entrar nesse jogo?". Virar uma espécie de influencer corporativo nunca foi exatamente uma ambição. Mas, com o tempo, fica difícil ignorar que crescer de forma orgânica também exige presença.

Não basta fazer bem feito em silêncio.

A parte desconfortável de aparecer

Existe uma frase de um filme que eu gosto muito: o belo não clama por atenção.

Eu me apeguei a essa ideia por bastante tempo. Ela é bonita, elegante, quase uma permissão para continuar quieto. Se algo é realmente bom, pensei muitas vezes, então talvez não precise gritar. Talvez encontre seu caminho.

Só que a vida profissional não é um museu silencioso.

As pessoas estão ocupadas. O mercado é barulhento. Bons projetos somem no meio de timelines, feeds, prioridades, algoritmos e problemas urgentes. Às vezes o trabalho é bom, mas ele não atravessa a distância entre você e quem poderia se importar com ele.

E essa distância também é responsabilidade sua.

Aprender a mostrar o próprio trabalho não precisa significar virar uma caricatura. Não precisa significar fingir segurança o tempo todo, postar frase pronta ou transformar cada pequena entrega em espetáculo. Mas significa aceitar que comunicação faz parte do trabalho.

Se você constrói algo com paciência, também precisa ter paciência para explicar por que aquilo importa.

Se vender também é parte do jogo

Esse texto talvez pareça um desabafo, e em parte é mesmo. Mas o ponto é simples: não tenha medo de se mostrar.

Não tenha medo de falar sobre o que você está construindo. Não tenha medo de contar o processo, mostrar o resultado, explicar suas escolhas e ocupar espaço. Isso não diminui a qualidade do trabalho. Pelo contrário, às vezes é justamente isso que permite que ele encontre as pessoas certas.

A mesma paciência que você precisa ter para construir algo bom, você também precisa ter para apresentar esse algo ao mundo.

Mesmo quando esse algo é você.

Talvez o belo não clame por atenção. Mas, às vezes, ele ainda precisa abrir a porta.

João Neiva

Sobre o autor

João Neiva

João Neiva

Desenvolvedor full stack e especialista em segurança em Goiânia. Construo e audito sistemas há 9 anos.

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